Qual caneta emagrece mais? O que mostra a comparação de 2026

Três canetas de injeção azul-escuras com tampas verde, amarela e laranja deitadas sobre uma mesa clara

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Pontos Principais

  • Uma comparação recente, publicada no BMJ, colocou lado a lado os remédios para obesidade estudados até hoje.
  • A tirzepatida e a combinação de cagrilintida com semaglutida foram as que mais tiraram peso, cerca de 15% do peso a mais do que dieta e exercício sozinhos.
  • Os remédios que tiram mais peso também tendem a dar mais enjoo, mais cansaço e mais desistências por efeito colateral.
  • A semaglutida injetável foi a única com redução de mortes e de infartos, em estudos com pessoas de risco alto para o coração.
  • Na insuficiência cardíaca em que o coração bombeia normal ou quase normal, as canetas melhoraram os sintomas e diminuíram as pioras da doença.

“Doutor, qual é a melhor caneta?” É uma das perguntas mais comuns sobre o assunto, e a resposta curta é que depende. A boa notícia é que, em 2026, um estudo grande comparou os remédios para obesidade entre si, e agora dá para responder com mais segurança qual caneta emagrece mais.

No post sobre canetas de emagrecimento, expliquei como elas funcionam e quem não deve usar. Aqui vou mostrar qual emagrece mais, qual dá mais efeito colateral e o que cada uma faz pelo coração, inclusive em quem tem insuficiência cardíaca.

Por que essa comparação é diferente

A maioria dos remédios para obesidade nunca foi comparada frente a frente. Quase todos os estudos comparam um remédio com uma injeção sem remédio, o placebo, e as comparações que existiam entre eles estavam incompletas.

A revisão publicada no BMJ em 2026 juntou todos os estudos numa mesma rede, com um método que calcula até as comparações que nunca foram feitas diretamente. Foram 262 estudos, com quase 100 mil pessoas com sobrepeso ou obesidade. Todos os remédios foram comparados com a mesma base: dieta e exercício sozinhos, em um ano de tratamento.

Os autores também olharam além da balança: efeitos colaterais, músculo, qualidade de vida, infarto, morte e insuficiência cardíaca.

O ranking do peso

O gráfico mostra quanto peso os principais remédios tiraram em um ano, além do que a dieta e o exercício já tiravam.

Gráfico de barras com a perda de peso em um ano, além de dieta e exercício: tirzepatida 14,9%; cagrilintida com semaglutida 14,8%; semaglutida em comprimido 10,9%; semaglutida injetável 9,8%; fentermina com topiramato 8,1%; liraglutida 4,7%; orlistate 3,0%.

Na frente aparecem a tirzepatida, a substância do Mounjaro, e a combinação de cagrilintida com semaglutida, que quando o estudo foi feito ainda estava em avaliação pelas agências reguladoras. As duas tiraram perto de 15% do peso a mais do que a dieta e o exercício sozinhos.

Logo atrás vem a semaglutida, a substância do Ozempic e do Wegovy. A versão em comprimido apareceu um pouco à frente da injetável, mas a diferença entre as duas cabe na margem de erro. Nos estudos mais longos, a semaglutida injetável tirou mais peso do que nos curtos, então o número de um ano subestima o que ela faz com o tempo.

A liraglutida, do Saxenda, é uma caneta mais antiga e ficou bem atrás. O orlistate, um comprimido que diminui a absorção da gordura, teve o menor efeito entre os remédios mais conhecidos. A fentermina com topiramato, que também aparece no gráfico, é um comprimido que, segundo os autores, só é aprovado nos Estados Unidos.

Remédios ainda mais novos, como a retatrutida, a mazdutida e a ecnoglutida, tiraram um peso parecido com o dos primeiros colocados. Só que eles ainda têm poucos estudos, e os autores classificaram a confiança nesses resultados como baixa ou muito baixa.

Os autores também procuraram grupos de pessoas que respondessem melhor a um remédio do que a outro, separando por grau de obesidade, diabetes e doença do coração. Não acharam diferenças confiáveis, então a ordem do ranking vale para os grupos estudados.

E a semaglutida em dose maior?

Uma dúvida comum é se aumentar a dose resolve. O estudo STEP UP testou a semaglutida em 7,2 mg por semana, três vezes a dose usada hoje, em 1.407 adultos com obesidade e sem diabetes. Em 72 semanas, quem usou a dose maior perdeu em média 18,7% do peso, contra 15,6% com a dose habitual e 3,9% com placebo.

O ganho veio com mais efeito colateral. Enjoo, diarreia e outros sintomas do intestino apareceram em 71% de quem usou a dose maior, contra 61% na dose habitual. Uma sensação diferente na pele, como formigamento ou sensibilidade ao toque, apareceu em quase um em cada quatro participantes da dose maior. Na maioria das vezes foi leve e passou até o fim do estudo. O estudo foi pago pela fabricante.

Mais peso, mais efeito colateral

Na comparação do BMJ, os remédios que tiraram mais peso também costumaram dar mais efeito colateral. Os sintomas do intestino, como enjoo, vômito, diarreia e prisão de ventre, foram os mais comuns com as canetas em geral. O cansaço também aumentou com vários remédios.

Parar por causa de efeito colateral foi mais frequente com a maioria dos remédios bem estudados. Com a tirzepatida, 28 pessoas a mais em cada mil pararam o remédio em um ano por esse motivo. Com a semaglutida injetável, foram 20. O orforglipron, um comprimido novo da mesma família, teve o maior número de desistências.

Outro efeito que vale conhecer é o problema de vesícula, como a pedra na vesícula. Ele aumentou com a combinação de cagrilintida com semaglutida, com a semaglutida em comprimido, com a liraglutida e, possivelmente, com a tirzepatida. O risco extra foi pequeno, de até 13 casos a mais em cada mil pessoas em um ano, mas dor forte do lado direito da barriga durante o tratamento merece avaliação.

Para o intestino se acostumar, a dose das canetas sobe aos poucos, ao longo de semanas, e boa parte dos enjoos melhora com o tempo.

E o músculo?

A tirzepatida foi a que mais reduziu a gordura do corpo, mas também a que mais reduziu a massa magra, que inclui o músculo. A semaglutida injetável também tirou massa magra. Por isso, quem usa caneta precisa de proteína suficiente e de treino de força, que ajudam a segurar o músculo enquanto o peso cai. Essa perda pode ser acompanhada com a bioimpedância, que estima a gordura e a massa magra do corpo.

E a qualidade de vida?

Esse foi o achado que mais me chamou atenção. Mesmo com a perda de peso, nenhum remédio melhorou a qualidade de vida, medida por questionário, além do mínimo que faz diferença para a pessoa no primeiro ano. Emagrecer ajuda muito a saúde, mas o bem-estar depende de outras coisas também, como sono, disposição e como você se sente com o tratamento.

O que as canetas fazem pelo coração

É aqui que as canetas mais se diferenciam. A semaglutida injetável foi o único remédio que reduziu as mortes por qualquer causa e os infartos. Esse resultado veio principalmente de estudos com pessoas que já tinham risco alto para o coração, então vale mais para esse grupo.

A semaglutida e a tirzepatida também diminuíram o risco de insuficiência cardíaca, e a tirzepatida reduziu as internações por ela.

Caneta para quem tem insuficiência cardíaca

Insuficiência cardíaca é quando o coração não consegue atender o que o corpo precisa. Mais da metade dos casos é de um tipo em que o coração bombeia com força normal ou quase normal, mas fica rígido e enche mal. Esse tipo anda muito junto com a obesidade e o diabetes, e dá cansaço, falta de ar e inchaço nas pernas.

Uma revisão publicada em 2026 juntou 7 estudos com 6.525 pessoas com esse tipo de insuficiência cardíaca, comparando as canetas com placebo. Quem usou a caneta teve 38% menos episódios de piora da doença, como internação, ida de urgência ao hospital ou necessidade de aumentar o diurético. Os sintomas e a qualidade de vida melhoraram, e a distância caminhada em seis minutos aumentou. O benefício pareceu maior em quem tinha obesidade, mas essa diferença ainda precisa ser confirmada.

As canetas não reduziram as mortes nesses estudos, e o resultado vale só para o tipo de insuficiência em que o coração bombeia normalmente. No tipo em que o coração bombeia fraco, um estudo com a liraglutida em pessoas com a doença avançada, logo depois de uma internação, não mostrou melhora e ainda aumentou a frequência cardíaca. Por isso, quem tem insuficiência cardíaca precisa decidir o uso da caneta junto com o cardiologista.

Comprimido ou injeção?

Já existem opções em comprimido, como a semaglutida oral. O orforglipron, da mesma família, é um comprimido mais novo, testado em estudos recentes. Para quem tem medo de agulha, é uma vantagem.

Na comparação do BMJ, porém, os comprimidos não ficaram livres de problemas. A semaglutida oral esteve entre as que mais deram sintomas do intestino, e o orforglipron foi o remédio com mais desistências por efeito colateral. O comprimido de semaglutida ainda tem uma regra chata: é tomado em jejum, com pouca água, e é preciso esperar um tempo antes de comer.

Então, qual é a melhor?

Não existe uma caneta melhor para todo mundo. Os próprios autores do BMJ concluem que a escolha deve ser feita em conjunto entre médico e paciente, pesando ganhos e efeitos colaterais. Na prática, o que pesa na escolha é:

  • quanto peso você precisa perder para melhorar a sua saúde;
  • se você tem doença do coração, insuficiência cardíaca ou diabetes, porque isso pesa a favor de alguns remédios;
  • como você tolera os efeitos colaterais, principalmente do intestino;
  • se você prefere injeção semanal ou comprimido diário;
  • o custo, porque um tratamento que você não consegue manter não funciona.

Vale lembrar que, quando a caneta é suspensa, boa parte do peso costuma voltar, como comentei no post sobre canetas de emagrecimento. Por isso, a escolha também precisa pensar no longo prazo.

Conclusão

A tirzepatida e a combinação de cagrilintida com semaglutida são as que mais emagrecem, seguidas pela semaglutida. Os remédios que tiram mais peso, porém, também costumam dar mais efeito colateral. Para quem tem risco alto para o coração, a semaglutida injetável é a que tem mais prova de proteção, e na insuficiência cardíaca em que o coração bombeia normal ou quase normal as canetas ajudam nos sintomas e nas pioras da doença. A melhor caneta é a que combina com a sua saúde e que você consegue manter.

Até a próxima, pessoal!


Médico responsável: Dr. Gilberto Nering Junior, médico do esporte, CRM-SP 160822, RQE 142486 (Medicina do Esporte).

Este texto não foi patrocinado, é informativo e não substitui a avaliação individual. Dúvidas sobre o conteúdo: contato da clínica.

Foto da capa: Julia Taubitz no Unsplash.

Perguntas frequentes sobre qual caneta emagrece mais

Qual caneta emagrece mais?

Na comparação publicada no BMJ em 2026, a tirzepatida e a combinação de cagrilintida com semaglutida tiraram mais peso, cerca de 15% do peso a mais do que dieta e exercício em um ano. A semaglutida veio logo atrás.

Mounjaro emagrece mais que Ozempic?

Sim. A tirzepatida, do Mounjaro, tirou mais peso do que a semaglutida, do Ozempic e do Wegovy, em um ano. Por outro lado, a semaglutida injetável é a que tem mais prova de reduzir infartos e mortes em quem tem risco alto para o coração.

A caneta que emagrece mais tem mais efeito colateral?

Em geral, sim. Os remédios que tiraram mais peso também deram mais sintomas do intestino, mais cansaço e mais desistências por efeito colateral.

Quem tem insuficiência cardíaca pode usar caneta para emagrecer?

No tipo de insuficiência cardíaca em que o coração bombeia normal ou quase normal, os estudos mostraram melhora dos sintomas e menos episódios de piora da doença. No tipo em que o coração bombeia fraco, ainda não há benefício provado. A decisão deve ser feita junto com o cardiologista.

Caneta em comprimido funciona igual à injeção?

Nas doses testadas nos estudos de obesidade, que não são necessariamente as mesmas do comprimido usado para diabetes, a semaglutida em comprimido teve resultado parecido com a injetável em um ano. Os comprimidos também têm efeitos colaterais, principalmente no intestino, e precisam de cuidados na hora de tomar.

Referências

  1. Elazab A, Elbataa A, Mansour A, et al. Cardiovascular and functional outcomes of glucagon-like peptide-1 receptor agonists in heart failure with preserved or mildly reduced ejection fraction: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Eur J Med Res. 2026. Article in Press. doi:10.1186/s40001-026-05199-7
  2. Nong K, Shi Q, Xie X, et al. Comparative effects of drugs for adults with overweight or obesity: systematic review and network meta-analysis. BMJ. 2026;394:e372161. doi:10.1136/bmj-2026-372161
  3. Wharton S, Freitas P, Hjelmesæth J, et al. Once-weekly semaglutide 7·2 mg in adults with obesity (STEP UP): a randomised, controlled, phase 3b trial. Lancet Diabetes Endocrinol. 2025;13(11):949-963. doi:10.1016/S2213-8587(25)00226-8