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Pontos Principais
- O PRP é feito com o seu próprio sangue e aplicado dentro do joelho. Desde julho de 2026, o CFM permite o uso na artrose de joelho como tratamento complementar.
- Na maioria dos estudos, ele aliviou a dor e melhorou a função mais do que o soro, o corticoide e o ácido hialurônico, com benefício mais consistente no primeiro ano. Nem todo estudo concorda.
- Quem mais se beneficia tem artrose leve a moderada e já tentou exercício e outros cuidados sem melhora suficiente. Na artrose avançada, o resultado costuma ser pequeno.
- O PRP não refaz a cartilagem e não substitui exercício, perda de peso ou cirurgia quando ela é indicada.
- O efeito diminui com os anos, e o tratamento pode precisar ser repetido.
Dor no joelho é uma das queixas mais comuns em quem pratica esporte e também em quem só quer subir escada sem sofrer. Boa parte dessas dores vem da artrose, o desgaste da cartilagem da articulação. No post sobre o que é o PRP, expliquei como ele é feito e onde tem mais estudo. O PRP no joelho é o uso com mais pesquisa. As dúvidas mais comuns são se funciona, para quem, quanto tempo dura e como ele se compara às outras infiltrações.
O que acontece no joelho com artrose
A cartilagem é a camada lisa que cobre a ponta dos ossos e deixa a articulação deslizar sem atrito. Na artrose, essa camada vai se desgastando. O osso embaixo reage, formam-se pequenos bicos de osso, e a membrana que reveste a articulação fica inflamada. É essa combinação que dá a dor, o inchaço e a rigidez, principalmente ao levantar depois de ficar sentado.
O raio-X mostra em que fase a artrose está, e isso muda muito o resultado do PRP. A escala usada se chama Kellgren-Lawrence e vai de 0 a 4:
- grau 0: sem sinais de artrose;
- grau 1: alterações duvidosas;
- grau 2: artrose leve, com pequenos bicos de osso;
- grau 3: artrose moderada, com o espaço entre os ossos diminuindo;
- grau 4: artrose avançada, com o espaço quase sumindo.
Como o PRP age dentro do joelho
As plaquetas guardam substâncias que sinalizam reparo e controlam a inflamação, os fatores de crescimento. No PRP, essas plaquetas chegam ao joelho bem mais concentradas do que no sangue. A ideia é que elas acalmem a inflamação da articulação e melhorem o ambiente em que a cartilagem vive.
Num ensaio chinês com 610 pacientes, o líquido do joelho de quem recebeu PRP tinha, seis meses depois, menos substâncias inflamatórias do que o de quem recebeu soro. Isso ajuda a explicar a melhora da dor. Recuperar a cartilagem que já se perdeu é outra história, e os maiores limites do tratamento estão nesse ponto.
O que os estudos mostram
Uma revisão de 2026 juntou 62 ensaios com quase 5 mil pacientes. O PRP aliviou mais a dor e melhorou mais a função do que o ácido hialurônico, o corticoide e o soro aos seis meses, e continuou à frente do ácido hialurônico e do corticoide aos doze meses. Os próprios autores lembram que os estudos são muito diferentes entre si e que a certeza da evidência vai de moderada a muito baixa.
Os estudos não concordam todos: em 2021, um ensaio australiano publicado no JAMA, o RESTORE, comparou três aplicações de PRP com três de soro em 288 pessoas com artrose leve a moderada. Depois de um ano, a dor tinha caído quase o mesmo nos dois grupos. Já o ensaio chinês dos 610 pacientes encontrou o contrário: melhora maior com PRP em todas as avaliações, até cinco anos depois.
Quando estudos bem feitos chegam a resultados opostos, alguma coisa no preparo ou nos pacientes está mudando a resposta. Uma explicação que aparece com força nos estudos recentes é a quantidade de plaquetas. Uma meta-análise de 2025 viu que o PRP mais concentrado aliviou a dor de forma perceptível até um ano depois, e o menos concentrado não chegou a esse nível. Cada sistema de preparo entrega uma quantidade diferente de plaquetas, e esse é um ponto que vale perguntar ao médico.
Quanto tempo dura o efeito
O PRP não age na hora, como o corticoide. A melhora costuma aparecer ao longo de algumas semanas e fica mais clara entre o terceiro e o sexto mês. Nas revisões, ela é mais consistente até os 12 meses, que é até onde a maioria dos estudos acompanhou os pacientes.
Alguns estudos acompanharam os pacientes por mais tempo. Num grupo indiano de 78 pacientes que fizeram três aplicações, a melhora de dor e função se manteve por quatro anos, mas aos seis anos os resultados tinham voltado perto do ponto de partida. Quem tinha artrose grau 3 piorou antes de quem tinha grau 1 ou 2.
Um estudo chinês de 2026 comparou, cinco anos depois, pessoas com artrose inicial que fizeram uma série de PRP junto com o tratamento habitual e pessoas que fizeram só o tratamento habitual, com exercício, controle de peso e outros tratamentos, como anti-inflamatório ou ácido hialurônico. Aos cinco anos, os dois grupos estavam parecidos.
O PRP alivia por um período e não resolve para sempre. O restante do tratamento continua sendo a base no longo prazo, e a aplicação pode precisar ser repetida depois de algum tempo.
PRP, ácido hialurônico ou corticoide?
Essas são as três infiltrações mais usadas no joelho com artrose. Cada uma tem um papel, que muda na rapidez do efeito, na duração e no melhor momento de usar.
| PRP | Ácido hialurônico | Corticoide | |
|---|---|---|---|
| Como age | Plaquetas do seu sangue, que acalmam a inflamação | Melhora a lubrificação da articulação | Anti-inflamatório potente |
| Quando começa a fazer efeito | Ao longo de semanas | Ao longo de semanas | Em poucos dias |
| Quanto dura | Mais consistente até 12 meses nos estudos | Alguns meses | Poucas semanas |
| Melhor uso | Artrose leve a moderada, depois de exercício e outros cuidados | Opção para artrose leve a moderada | Crise de dor e inchaço |
Comparado ao ácido hialurônico, o PRP levou uma vantagem pequena. Uma revisão de 2026 com 21 ensaios viu diferença na dor só aos 12 meses, e na função em todos os momentos. O ácido hialurônico continua sendo uma boa opção, e a escolha depende do caso.
Comparado ao corticoide, a diferença é de tempo. O corticoide alivia mais rápido e tem lugar nas crises. O consenso europeu de 2024 sobre infiltrações no joelho concluiu que o PRP dá um efeito mais longo e parece ter menos risco de complicação.
Quem tende a se beneficiar mais
Em 2024, especialistas de uma sociedade europeia de joelho e de uma sociedade internacional de cartilagem analisaram 216 situações diferentes de pacientes com artrose e decidiram em quais o PRP faz sentido. A conclusão foi que ele é apropriado em pessoas de até 80 anos, com artrose grau 0 a 3, que já tentaram outros tratamentos sem melhora suficiente. Ele não foi considerado apropriado como primeiro tratamento nem na artrose grau 4. Somando o consenso aos estudos, o perfil que costuma responder melhor é este:
- artrose leve a moderada, graus 1 a 3, com melhor resultado nos graus mais leves;
- pessoa que já fez exercício, fortalecimento e ajuste de carga e ainda tem dor;
- peso mais próximo do adequado, porque o excesso de peso pesou um pouco contra no estudo indiano de seis anos.
Perder peso ajuda o joelho com ou sem PRP, e para quem está emagrecendo e viu a balança parar, escrevi sobre o platô no emagrecimento. Na artrose grau 4, quando quase não sobrou cartilagem, o benefício costuma ser pequeno, e a conversa passa a incluir outras opções, inclusive a avaliação de um ortopedista sobre cirurgia. Algumas situações impedem o PRP, como infecção no joelho, câncer em atividade, plaquetas muito baixas e alteração da coagulação que não foi corrigida. Quem usa anticoagulante ou aspirina não deve parar por conta própria. Isso é revisado antes de indicar.
Como é feito na prática
A indicação começa na consulta, com exame do joelho e raio-X recente. A ressonância entra quando há suspeita de outra lesão, como no menisco ou num ligamento.
O esquema mais usado nos estudos com bons resultados é de três aplicações. Num ensaio turco com 237 pacientes, três aplicações deram resultado melhor do que uma só aos 6 e aos 12 meses. O intervalo entre elas varia de uma semana a um mês, e o número de sessões é decidido caso a caso.
No dia, o sangue é coletado, vai para a centrífuga e o PRP é aplicado no joelho. Nos primeiros dias, dor e inchaço leves são comuns. Escrevi um post só sobre os cuidados antes e depois do PRP, com o que fazer com anti-inflamatório, aspirina e treino.
O que o PRP não faz
O PRP não refaz a cartilagem que já se perdeu. O ensaio chinês viu menos perda de cartilagem na ressonância com PRP, mas o RESTORE, australiano, não viu diferença, então não dá para prometer proteção da articulação. A resolução do CFM proíbe apresentar o PRP como cura, regeneração garantida ou substituto de cirurgia indicada.
A base do tratamento da artrose continua a mesma. A diretriz do Colégio Americano de Reumatologia dá recomendação forte para exercício e, para quem está acima do peso, para emagrecer, o que tira carga do joelho a cada passo. O fortalecimento de coxa e quadril costuma ser o centro do treino. A mesma diretriz americana, de 2019, recomenda não usar PRP na artrose, por causa da diferença entre os preparos; o consenso europeu de 2024 e a resolução do CFM, mais recentes, aceitam o PRP em casos escolhidos. Quando indicado, ele entra como complemento desse plano. Outro tratamento muito procurado para o joelho, o colágeno, tem post próprio: colágeno funciona na artrose?.
O que diz o CFM
A Resolução CFM 2.464/2026 permite o PRP como tratamento complementar na artrose de joelho, desde que feito por médico, só com o sangue do próprio paciente e com termo de consentimento assinado, que explica benefícios, limites, alternativas e riscos. Também proíbe misturar o PRP com células-tronco, medula ou gordura fora de pesquisa.
Conclusão
O PRP no joelho tem mais estudo a favor do que contra, principalmente na artrose leve a moderada e com um preparo que entrega boa quantidade de plaquetas. A melhora aparece em semanas, é mais consistente no primeiro ano e vai diminuindo com os anos. Ele pode ajudar como complemento de exercício e controle de peso, e não refaz a cartilagem. Ainda há estudos sem benefício, e por isso a indicação é individual.
Cuide bem desse joelho, e até a próxima!
Médico responsável: Dr. Gilberto Nering Junior, médico do esporte, CRM-SP 160822, RQE 142486 (Medicina do Esporte).
Este texto não foi patrocinado, é informativo e não substitui a avaliação individual. Dúvidas sobre o conteúdo: contato da clínica.
Foto da capa: Anna Auza no Unsplash.
Perguntas rápidas sobre PRP no joelho
PRP no joelho é liberado no Brasil?
Sim. Desde julho de 2026, a Resolução CFM 2.464/2026 permite o PRP como tratamento complementar na artrose de joelho, feito por médico, com o sangue do próprio paciente e com termo de consentimento.
Quanto tempo dura o efeito do PRP no joelho?
Nos estudos, o benefício é mais consistente até 12 meses. Em alguns, a melhora durou anos, mas foi diminuindo com o tempo, e o tratamento pode precisar ser repetido.
PRP é melhor que ácido hialurônico?
As revisões recentes mostram uma vantagem pequena do PRP, mais clara na função do joelho e na dor depois de um ano. O ácido hialurônico continua sendo uma opção válida, e a escolha depende do caso.
O PRP regenera a cartilagem?
Não há garantia: um ensaio viu menos perda de cartilagem com PRP e outro não viu diferença. O objetivo do tratamento é melhorar dor e função, e o CFM proíbe prometer regeneração.
PRP funciona na artrose avançada?
Na artrose grau 4, o benefício costuma ser pequeno, e o consenso de especialistas de 2024 sobre quem deve fazer PRP não o considerou apropriado nesse grau. Nesses casos, outras opções entram na conversa.
Referências
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