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Pontos Principais
- Anti-inflamatório atrapalha o trabalho das plaquetas. A orientação mais comum é parar cerca de uma semana antes do PRP e continuar sem ele nos dias seguintes.
- Aspirina receitada para o coração e anticoagulante nunca devem ser suspensos por conta própria. Isso é decidido com o médico que receitou.
- Febre, infecção, antibiótico em uso ou tratamento dentário recente são motivos para avisar o médico antes, e muitas vezes para adiar a aplicação.
- Dor e inchaço nos primeiros dias são comuns e esperados. O que preocupa é piorar com o passar dos dias ou ter febre.
- O PRP não substitui a reabilitação. A volta à atividade é gradual e o resultado é avaliado depois de alguns meses.
Antes de um PRP, as dúvidas costumam ser parecidas. Posso tomar meu remédio? Preciso ir em jejum? Vai doer depois? Quando volto a treinar? Os cuidados antes e depois do PRP também fazem parte do tratamento. Algumas orientações têm boa explicação por trás, outras são mais costume do que ciência, e vou separar as duas coisas.
Se você ainda não sabe bem o que é o PRP, escrevi sobre isso no post PRP: o que é, como é feito e para que serve. O PRP é um concentrado de plaquetas feito com o seu próprio sangue. As plaquetas guardam substâncias que ajudam no reparo dos tecidos, os fatores de crescimento, e o PRP leva essas substâncias até a lesão. No Brasil, desde julho de 2026, o CFM permite o PRP como tratamento complementar em quatro situações: artrose de joelho, doença do disco lombar, cotovelo de tenista e reparo de menisco.
Antes do PRP: os remédios
Anti-inflamatórios
O cuidado mais importante é com os anti-inflamatórios, como ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco e nimesulida. Eles bloqueiam uma enzima que as plaquetas usam para se ativar e liberar os fatores de crescimento. Se as plaquetas do PRP estiverem sob efeito do remédio, podem soltar menos dessas substâncias.
Um estudo americano mediu isso em pessoas saudáveis. Depois de uma semana tomando naproxeno, dois dos fatores de crescimento do PRP caíram quase pela metade. Uma semana depois de parar o remédio, voltaram ao normal.
Por isso, a orientação mais comum é parar o anti-inflamatório cerca de uma semana antes da coleta do sangue. Nos estudos de PRP no joelho, metade excluiu quem tinha usado anti-inflamatório pouco antes da aplicação, e o prazo mais comum foi de 5 dias.
Um estudo em cães não viu esse efeito com um anti-inflamatório de outra classe, os coxibes, e não há estudo mostrando que o resultado clínico do PRP piora em quem tomou o remédio. Mesmo assim, a pausa custa pouco e evita um risco possível. Se você usa anti-inflamatório por causa de dor, combine com o médico o que tomar no lugar. O paracetamol praticamente não age sobre as plaquetas.
Aspirina e outros remédios que afinam o sangue
A aspirina age sobre a mesma enzima, e de forma mais duradoura. Num estudo com 12 homens saudáveis, duas semanas de aspirina em dose baixa diminuíram a liberação dessas substâncias num dos testes de laboratório, sem mudar a quantidade de plaquetas.
Quem toma aspirina por ter tido infarto, derrame, stent ou outra doença do coração não deve parar por conta própria. O risco de suspender pode ser muito maior do que o ganho no PRP. A decisão é tomada junto com o médico que receitou, e às vezes a resposta é manter o remédio e seguir com o PRP assim mesmo. Se você toma aspirina de vez em quando para dor de cabeça ou febre, ela entra na mesma conta do anti-inflamatório: avise na consulta para combinar o prazo. O mesmo vale para anticoagulantes, como varfarina, rivaroxabana e apixabana, e para outros antiagregantes, como o clopidogrel: não pare, e conte na consulta, porque isso muda o planejamento da aplicação.
Corticoide
Se você tomou corticoide em comprimido ou recebeu uma infiltração de corticoide nas últimas semanas, avise, porque não se sabe o quanto ele interfere no PRP e a data precisa ser combinada. O corticoide age rápido e alivia a dor no começo. O PRP age mais devagar, e o consenso europeu de 2024 sobre artrose de joelho considerou que ele dura mais e tem um perfil mais seguro do que a infiltração de corticoide.
Não existe um prazo testado em estudo entre uma infiltração de corticoide e um PRP no mesmo lugar. A data é combinada caso a caso, levando em conta quando foi feito o corticoide e o motivo.
Suplementos
Óleo de peixe, vitamina E, ginkgo biloba e alho em cápsula aparecem em listas de cuidados antes de procedimentos, porque podem mexer com as plaquetas. Para o PRP, não há estudo específico. Informe tudo o que você toma, inclusive o que comprou sem receita, e decidimos juntos. Muita gente toma suplemento sem precisar (falei disso nos posts sobre quando vale suplementar vitamina D e sobre colágeno para articulação e pele), e a consulta antes do PRP é uma boa hora para rever essa lista.
| Situação | O que fazer |
|---|---|
| Anti-inflamatório (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco, nimesulida) | Parar cerca de 1 semana antes, se o médico liberar, e seguir sem ele depois |
| Aspirina para o coração ou derrame | Não parar por conta própria; decidir com o médico que receitou |
| Anticoagulante ou clopidogrel | Não parar por conta própria; avisar na consulta |
| Corticoide recente (comprimido ou infiltração) | Avisar; a data é combinada caso a caso |
| Suplementos | Informar tudo o que toma |
Quando o PRP deve ser adiado
Algumas situações pedem para esperar ou mesmo não fazer o PRP. A resolução do CFM proíbe a aplicação com infecção no local, câncer em atividade, plaquetas muito baixas ou alteração da coagulação que não foi corrigida.
Em 2025, um grupo internacional de especialistas em injeções de plaquetas, o GRIIP, publicou 23 recomendações para quem tem infecções, câncer ou doenças do sangue. Elas tratam de infecções por vírus e bactérias, diálise, remédios que baixam a imunidade, tratamento dentário, câncer curado ou em atividade e alterações das células do sangue. A maioria se baseia na opinião dos especialistas, porque há poucos estudos sobre isso. Em muitos desses casos, a aplicação é só adiada até o problema passar, por isso avise antes se você:
- teve febre ou alguma infecção nos últimos dias;
- está tomando antibiótico;
- fez extração de dente ou outro procedimento no dentista há pouco tempo;
- tem ou teve câncer, ou alguma doença do sangue;
- tem uma ferida, espinha inflamada ou lesão de pele no local da aplicação.
No dia da aplicação
Você não precisa ir em jejum: nenhum estudo mostrou que comer ou beber água antes muda o PRP. Chegar alimentado e hidratado até ajuda, porque facilita a coleta do sangue e diminui a chance de passar mal com a agulha. Também não há prova de que treinar no dia anterior atrapalhe. O exercício intenso aumenta as plaquetas no sangue por algumas horas, e não se sabe se isso muda alguma coisa no tratamento. Não precisa mudar a rotina por causa disso.
O procedimento em si tem três etapas: a coleta de sangue, a centrifugação, que separa a parte com mais plaquetas, e a aplicação no local da lesão. Antes, você assina um termo de consentimento, exigido pelo CFM, que explica benefícios, limites, alternativas e riscos. Em estruturas profundas ou de acesso difícil, a resolução pede que a aplicação seja guiada de preferência por imagem, como o ultrassom. Vá com uma roupa que deixe fácil chegar ao local da aplicação, como uma bermuda para o joelho ou uma camiseta de manga curta para o cotovelo, e leve os exames de imagem que você tiver.
Depois do PRP: as primeiras 48 horas
Dor, inchaço e sensação de peso no local são comuns logo depois da aplicação. No ensaio britânico do tendão de Aquiles, 8 em cada 10 pacientes que receberam PRP relataram desconforto no local, e 6 em cada 10 sentiram o mesmo com uma injeção simulada, em que a agulha nem chegava ao tendão. Parte do incômodo vem da própria agulha, e parte da reação do tecido ao PRP. Esse estudo foi feito no tendão de Aquiles, onde o PRP não está liberado no Brasil. Entre os tendões, a liberação do CFM vale só para o cotovelo de tenista.
No joelho, um ensaio italiano com 132 pacientes que fizeram 3 aplicações não teve nenhum efeito adverso grave. Os que apareceram foram leves. Para esses primeiros dias, as orientações são estas:
- Use paracetamol se precisar. Se você costuma usar dipirona, pergunte antes, porque ela também age um pouco sobre as plaquetas.
- Continue sem anti-inflamatório. Esse foi um dos pontos de acordo num consenso de especialistas de 2026 sobre a reabilitação depois do PRP em tendões.
- Poupe a região. Nos estudos de joelho, o tempo de restrição mais usado foi de um dia, e ninguém precisa ficar de cama.
Sobre os cuidados das primeiras horas, os especialistas não chegaram a acordo em vários pontos, e os estudos usam protocolos muito diferentes. Por isso a orientação é individual, de acordo com a lesão tratada.
Depois do PRP: volta à atividade e reabilitação
O PRP não substitui o exercício: no cotovelo de tenista e na artrose, a reabilitação bem feita faz parte do tratamento, com fortalecimento, controle da carga e volta gradual ao esporte. O controle de carga segue a mesma lógica que expliquei no post sobre dor na corrida. O consenso de 2026 definiu princípios e etapas para essa reabilitação depois do PRP em tendinopatias, com a ressalva de que se baseiam mais na experiência dos especialistas do que em estudos comparando protocolos. Os passos costumam ser estes:
- Primeiros dias: poupar a região e fazer só as atividades do dia a dia.
- Semanas seguintes: começar ou retomar os exercícios de reabilitação, aumentando a carga aos poucos.
- Volta ao esporte: progressiva, guiada pela dor e pela função, no tempo de cada lesão.
O efeito do PRP não é imediato como o de um corticoide. Quando a melhora vem, ela aparece ao longo de semanas, e a avaliação do resultado é feita depois de alguns meses. Na artrose de joelho, é comum fazer mais de uma aplicação, e o número é definido na consulta.
Sinais de alerta depois da aplicação
Infecção depois de PRP é incomum, mas é o problema que mais importa reconhecer cedo. Procure o médico se:
- a dor e o inchaço pioram com o passar dos dias, em vez de melhorar;
- aparece febre;
- o local fica vermelho, quente e muito inchado;
- sai secreção pelo ponto da agulha;
- a articulação trava ou você não consegue apoiar o peso.
Conclusão
O preparo para o PRP é simples. O ponto principal é o anti-inflamatório, que deve sair uns sete dias antes e continuar fora nos dias seguintes. Aspirina do coração e anticoagulante não se mexem sem o médico que receitou. Febre, infecção ou antibiótico em uso são motivo para avisar e, muitas vezes, para adiar. Depois da aplicação, dor nos primeiros dias é esperada, e o resultado depende também da reabilitação nas semanas seguintes.
Boa recuperação e um abraço proceis!
Médico responsável: Dr. Gilberto Nering Junior, médico do esporte, CRM-SP 160822, RQE 142486 (Medicina do Esporte).
Este texto não foi patrocinado, é informativo e não substitui a avaliação individual. Dúvidas sobre o conteúdo: contato da clínica.
Foto da capa: yury kirillov no Unsplash.
Perguntas rápidas sobre os cuidados com o PRP
Quantos dias antes do PRP devo parar o anti-inflamatório?
Em geral, cerca de uma semana antes. Num estudo com naproxeno, uma semana sem o remédio bastou para os fatores de crescimento do PRP voltarem ao normal. Confirme o prazo com o seu médico, principalmente se você usa o remédio por causa de dor.
Posso tomar aspirina antes do PRP?
Se a aspirina foi receitada por causa de infarto, derrame, stent ou outra doença do coração, não pare por conta própria. A decisão é tomada com o médico que receitou, e muitas vezes o remédio é mantido.
Dói depois do PRP?
Dor, inchaço e sensação de peso no local são comuns nos primeiros dias. O paracetamol costuma resolver. Se você usa dipirona, pergunte antes ao médico. Se a dor piorar com os dias ou vier febre, procure o médico.
Posso treinar depois do PRP?
No começo, poupe a região e faça só as atividades do dia a dia. Depois, a volta é gradual, junto com a reabilitação, no tempo de cada lesão.
Quando dá para avaliar o resultado do PRP?
O PRP age devagar: quando a melhora vem, aparece ao longo de semanas, e o resultado é avaliado depois de alguns meses.
Referências
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.464, de 2 de julho de 2026. Regulamenta o uso de plasma rico em plaquetas como procedimento médico adjuvante no tratamento de condições osteomusculares específicas. Diário Oficial da União. 15 jul 2026; Seção 1:70. Texto da resolução
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